Principais
Tradições
Lembrete:
Este texto foi escrito nos anos 90. Várias Tradições foram criadas
depois das enumeradas no texto, que foi retirado do site Alemdalenda,
porém, não cita o autor.
Por
necessidade, estas definições são gerais, pois cada Bruxo, mesmo
que faça parte de uma Tradição específica, poderia definir seu
caminho como sendo diferente.
Tradição
Gardneriana
Fundada
por Gerald Gardner no ano de 1951 na Inglaterra. Esta tradição
contribuiu muito para Arte ser o que é hoje. A estrutura de muitos
rituais e trabalhos mágicos em numerosas tradições são
originárias do trabalho de Gardner. Algumas das reivindicações
históricas feitas pelo próprio Gardner e por algumas Bruxas
Gardnerianas ainda têm que ser verificadas (e em alguns casos são
fortemente contestadas), porém, esta Tradição apoiou muitas Bruxas
modernas.
Gerald
B. Gardner é considerado "o avô" de toda a Neo-Wicca. Foi
iniciado em um Coven de NewForest, na Inglaterra em 1939. Em 1951 a
última das leis inglesas contra a Bruxaria foi banida (primeiramente
devido à pressão de Espiritualistas) e Gardner publicou o famoso
livro "A Bruxaria Hoje" ("Witchcraft Today"),
trazendo uma versão dos rituais e as tradições do Coven pelo qual
foi iniciado. Esta é uma tradição extremamente hierárquica. A
Sacerdotisa e o Sacerdote governam o Coven, e os princípios do amor
e da confiança presidem.
Os
praticantes desta Tradição trabalham "Vestidos de Céu"
(nus), além de manterem o esquema de Seita Secreta. Nos EUA e
Inglaterra os Gardnerianos são chamados de "Snobs of the Craft"
(Snobes da Arte), pois muitos deles acreditam que são os únicos
descendentes diretos do Paganismo purista.
Cada
Coven Gardneriano é autônomo e é dirigido por uma Sacerdotisa, com
a ajuda do Sacerdote, Senhores dos Quadrantes, Mensageiro, etc. Isto
mantém a linhagem e cria um número de líderes e de professores
experientes para o treinamento dos Iniciandos. A Bíblia Completa das
Bruxas (The Witches Bible Complete) escrita por Janet e Stewart
Farrar, como também muitos livros escritos por Doreen Valiente, têm
base nesta Tradição e na Tradição Alexandrina em muitos aspectos.
Tradição
1734
Tipicamente
britânica é às vezes uma Tradição eclética baseada nas idéias
do poeta Robert Cochrane, um auto-intitulado Bruxo hereditário que
se suicidou através da ingestão de uma grande quantidade de
beladona. 1734 é usado como um criptograma (caracteres secretos)
para o nome da Deusa honrada nesta tradição.
Tradição
Alexandrina
Uma
Tradição popular que começou ao redor da Inglaterra em 1960 e foi
fundada por Alex Sanders. A Tradição Alexandrina é muito
semelhante à Gardneriana com algumas mudanças menores e emendas.
Esta Tradição trabalha à maneira de Alex e Maxine Sanders, que
diziam terem sido iniciados por sua avó em 1933. A maioria dos
rituais são muito formais e embasados na Magia cerimonial. É também
uma tradição polarizada, onde o Sacerdotisa representa o princípio
feminino e o Sacerdote o princípio masculino.
Os
rituais sazonais, na maior parte, são baseados na divisão do ano
entre o Rei do Azevinho e o Rei do Carvalho, e diversos dramas
rituais tratam do tema do Deus da Morte/Ressurreição. Como na
Tradição Gardneriana a Sacerdotisa é elevada autoridade máxima.
Entretanto, os precursores para ambas Tradições foram homens.
Embora similar à Gardneriana, a Tradição Alexandrina tende a ser
mais eclética e liberal. Algumas das regras estritas Gardnerianas,
tais como a exigência do nudismo ritual, são opcionais. Alex
Sanders intitulou-se a certa altura "Rei das Bruxas",
considerando que o grande número de pessoas que tinha iniciado na
sua tradição lhe dava esse direito. Nem os seus próprios
discípulos o levaram muito a sério, e para a comunidade Pagã no
geral esse título foi apenas motivo de troça, quando não de
repúdio. Janet e Stewart Farrar são os mais famosos Bruxos que
divulgaram largamente a Tradição Alexandrina em suas publicações.
Tradicional
Britânica
Uma
Tradição com uma forte estrutura hierárquica e graus. Os Rituais
estão centrados na Tradição Céltica e Gardneriana.
Wicca
céltica
Uma
Tradição muito telúrica, com enfoques na natureza, os elementos e
elementais, algumas vezes fadas, plantas, etc. Muitas "Bruxas
Verdes" (Green Witches) e Adeptos do Druidismo seguem este
caminho, centrado no panteão Céltico antigo e em seus Deuses e
Deusas.
Tradição
Caledoniana (ou caledonni)
Uma
tradição que tenta preservar os antigos festivais dos escoceses e
às vezes é chamada de Tradição Hecatina.
Tradição
Picta
É
uma das manifestações da Bruxaria tipicamente escocesa. Na maioria
das vezes é uma forma solitária da Arte. Seu enfoque prático é
basicamente mágico e possui poucos elementos religiosos e
filosóficos.
Bruxaria
Cerimonial
Usa
a Magia cerimonial para atingir uma conexão mais forte com as
divindades e perceber seus propósitos mais altos e suas habilidades.
Seus Rituais são freqüentemente derivações da Magia Cabalística
e Magia Egípcia. Embora certamente, mas não de forma intencional,
este caminho é infestado freqüentemente por egoístas e pessoas
inseguras que usam a Magia Cerimonial para duas finalidades: adquirir
tudo aquilo que querem e atingir níveis mais altos para poderem
olhar de cima. Estes atributos não são uma regra em todos os Bruxos
Cerimoniais, e há muitos Bruxos sinceros neste caminho.
Tradição
Diânica
Algumas
Bruxas Diânicas só enfocam seus cultos na Deusa, são muito
politicamente ativas, e feministas. Outras Bruxas Diânicas
simplesmente enfocam seu culto na Deusa como uma forma de compensar
os muitos anos de domínio Patriarcal na Terra. Algumas Bruxas
Diânicas usam este título para denotar que são "as Filhas de
Diana", a Deusa protetora delas. Há Bruxas Diânicas que são
tudo isto, algumas que não são nada disto, e outras que são um
misto disto. A Arte Diânica possui duas filiais distintas:
-
Uma filial, fundada no Texas por Morgan McFarland, que dá a
supremacia à Deusa em sua thealogy, mas honra o Deus Cornífero como
seu Consorte Amado e abençoado. Os membros dos Covens dividem-se
entre homens e mulheres. Esta filial é chamada às vezes "Old
Dianic" (Velha Diânica), e há alguns Covens descendentes desta
Tradição, especialmente no Texas. Outros Covens, similares na
thealogy mas que não descendem diretamente da linha de McFarland, e
que estão espalhados por todo EUA.
-
A outra filial, chamada às vezes de Feitiçaria Feminista Diânica,
focaliza exclusivamente a Deusa e somente mulheres participam de seus
Covens e grupos. Geralmente seus rituais são livres e não são
hierárquicos, usando a criatividade e o consenso para a realização
de seus rituais. São politicamente um grupo de feministas. Há uma
presença lésbica forte no movimento, embora a maioria de Covens
estejam abertos à mulheres de todas as orientações.
Tradição
Georgina
Esta
Tradição foi criada por George Patterson, que se auto intitulou
como sendo um "Sumo Sacerdote Georgino". Quando começou o
seu próprio Coven, chamou-o de Georgino, já que seu prenome era
George. Se há uma palavra que melhor pode descrever a Tradição de
George, seria "eclética". A Tradição Georgina é um
composto de rituais Celtas, Alexandrinos, Gardnerianos e
tradicionais. Mesmo que a maior parte do material fornecido aos
estudantes sejam Alexandrinos, nunca houve um imperativo para seguir
cegamente seu conteúdo. Os boletins de notícias publicados pelo
fundador da Tradição estavam sempre cheios de contribuições dos
povos de muitas outras Tradições. Parece que a intenção do Sr.
Patterson era fornecer uma visão abrangente aos seus discípulos.
Ecletismo
Um
Bruxo eclético é aquele que funde idéias de muitas Tradições ou
fontes. Assim como no caldeirão de uma bruxa são somados elementos
para completar a poção que é preparada, também são somadas
várias informações de várias Tradições para criar um modo
mágico de trabalhar. Esta "Tradição", que realmente não
é uma Tradição, é flexível, mas às vezes carente de fundamento.
Geralmente, são criados rituais e Covens de estrutura livre.
Tradição
das Fadas (ou Fairy Wicca)
Há
várias facções da Tradição das Fadas. Segundo os membros desta
Tradição, seus ritos e conhecimentos tiveram origem entre os
antigos povos da Europa da Idade do Bronze, que, ao migrarem para as
colinas e altas montanhas devido às guerras e invasões, ficaram
conhecidos como Sides, Pictos, Duendes ou Fadas. Uma bruxa desta
Tradição poderia ser ou trabalhar, mas não necessariamente:
-
Com energias da natureza e espíritos da natureza, também conhecidos
como elementais.
-
Homossexual. Alguns dos nomes mais famosos desta Tradição são
Victor e Cora Anderson, Tom Delong (Gwydion Penderwyn), Starhawk,
etc.
Tradição
Hecatina
Uma
Tradição de Bruxos que buscam inspiração em Hécate e tentam
reconstruir e modernizar os rituais antigos da adoração a esta
Deusa. É algumas vezes chamadas de Tradição Caledoniana ou
Caledoni.
Tradição
Familiar ou Hereditária
Um
Bruxo que normalmente foi treinado por um ente familiar e/ou pode
localizar sua história familiar em outro Bruxo ou Bruxos. Os Bruxos
Hereditários são pessoas que têm, ou supõem ter, uma ascendência
Pagã (mãe, tia, avó são os alvos mais visados). A maioria dos
Hereditários não aceitam a infiltração de outras pessoas fora de
sua dinastia, porém algumas Tradições Familiares "adotam"
alguns membros, escolhidos "a dedo" em seu segmento.
Bruxa
de Cozinha
Uma
bruxa prática que é freqüentemente eclética, enfoca e centra sua
magia e espiritualidade ao redor do "forno e do lar".
Bruxaria
Satânica
Não
existe!
Wicca
Saxônica ou Seax-Wicca
Fundada
em 1973, pelo autor prolífico, Raymond Buckland que era, naquele
momento, um Bruxo Gardneriano. Uma das primeiras tradições
precursoras em Bruxos solitários e o auto-iniciados. Estes dois
aspectos fizeram dela um caminho popular.
Bruxo
Solitário
Uma
pessoa que pratica a Arte só (mas pode se juntar às festividades de
Sabbat em um Coven ou com outros Bruxos Solitários ocasionalmente).
Um Bruxo Solitário pode seguir quaisquer das Tradições, ou nenhuma
delas. A maioria de Bruxos ecléticos são Solitários.
Tradição
Strega
Começou
ao redor na Itália em 1353. A história controversa sobre esta
Tradição pode ser achada em muitos locais e em muitos livros.
"Aradia, o Evangelho das Bruxas" é um deles.
Tradição
Teutônica ou Nórdica
Teutônicos
são um grupo de pessoas que falam o norueguês, fosso, islandês,
sueco, o inglês e outros dialetos europeus que são considerados
"idiomas Germânicos". Um Bruxo teutônico acha
freqüentemente inspiração nos mitos tradicionais e lendas, Deuses
e Deusas das áreas onde estes dialetos se originaram.
Tradição
Asatru
Teve
suas origens no Norte da Europa e é uma das facções das Tradições
Teutônica e Nórdica. Esta Tradição é praticada hoje por aqueles
que sentem uma ligação com os nórdicos e teutônicos e que desejam
estudar a filosofia e religiosidade da antiga Escandinávia, através
dos Eddas e Runas. Encoraja um senso de responsabilidade e
crescimento espiritual, freqüentemente embasados nos conceitos
atribuídos aos nobres guerreiros de tempos ancestrais.
Tradição
Algard
Uma
americana iniciada nas Tradições Gardneriana e Alexandrina, chamada
Mary Nesnick, fundou essa "nova" tradição que reúne
ensinamentos de ambas tradições sob uma única insígnia.
Bruxaria
Tradicional
Todo
Bruxo tradicional dará uma definição diferente para este termo. Um
Bruxo tradicional é aquele que freqüentemente prefere o título de
Bruxo à Wiccano e define os dois como caminhos muito diferentes. Um
Bruxo tradicional fundamenta seu trabalho mágico em métodos
históricos da tradição, religiosidade e geografia de seu país.
Tradição
Galesa de Gwyddonaid
Uma
Tradição Galesa Céltica da Wicca, que adora o panteão galês de
Deuses e Deusas. Gwyddonaid, foi quem grosseiramente traduziu a
ignóbil obra galesa "Árvore da Bruxa (Tree Witch)" e
propagou esta forma de trabalhar magicamente.
Bruxaria
Tradicional Ibérica
Uma
bruxaria onde participam pessoas que habitam a região que compreende
a penísula ibérica, principalmente Portugal e Espanha. Seus
ancestrais adoravam os seus Deuses, com cultos diferenciados entre
tribos e regiões; eles amavam e respeitavam os lugares e espíritos
da natureza, colhiam e caçavam com bravura e respeito. No passado a
Península Ibérica foi palco de influências de vários povos entre
eles: os Fenícios, Cartagineses, Suevos, Visigodos, Celtas (daí o
rótulo de Celtibero, palavra que representa mistura de povos Celtas
e Ibéricos).
As
divindades nunca se mesclaram facilmente com as dos povos invasores.
A adoração e o Ritual dos Deuses tem a ver com a Arte Antiga, hoje
chamada por uns de "Tradicionalista" e claro, muito
anterior à Wicca que vemos do autor Gardner e outros decorrentes.
Além disso, é sabido o quanto Gerald Gardner percorreu por várias
vezes a Espanha na busca do culto dos Antigos... e nunca os encontrou
realmente, pois os grupos de bruxos conhecidos por Aquellares e
Coevas (covens) são fechados e o que se fala para o exterior é
cauteloso de acordo com as Leis Wiccanas! O espírito religioso dos
romanos baseava-se na importação dos Deuses das varias regiões
conquistadas.
Podemos
citar a Grécia como exemplo disso. Todos os Deuses Gregos foram
importados dando origem a Deuses Romanos de poder, influência e
semântica similares. Os romanos também querendo absorver "os
poderes das tribos" conquistadas, apropriavam-se dos nomes dos
Deuses locais e os aplicavam conforme as conveniências em sua
cultura, sem contudo nestes Deuses romanos recém criados existir o
verdadeiro sentido mágico-religioso. Assim aconteceu com a nossa
Deusa Atégina que após a romanização, virou Proserpina, nome
deveras conhecido na mitologia romana mas, muito antes de Roma ser
criada, os povos locais já conheciam a lenda da Descida da Deusa
Atégina aos mundos interiores.
Podemos
notar também pela história que, cinco séculos antes de Roma, já
haviam chegado à europa a cultura dos Gregos e dos Fenícios e,
depois, dos Cartagineses que não forçaram os habitantes ibéricos
com suas religiões, entretanto foram bastante influentes na passagem
de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários
primitivos já existentes na Península Ibérica.
A
Tradição dos ibéricos tem uma ancestralidade reconhecida num vasto
Panteão autônomo, quase livre de influências exteriores, e nos
variadíssimos vestígios históricos, que cada vez mais surgirão à
luz dos homens. Não poderíamos ficar allheios também da
importância trazida pelas culturas Fenícia, Cretense e Grega e cuja
cultura resplandecente causou assombro e respeito aos povos nativos
ibéricos do litoral português com os cultos de Baal Merkart e de
Tanith de Cartago cultuada no seu local em Nazaré.
O
Panteão Ibérico é rico e tribal. Os Deuses que compõem este
panteão existem nas antigas regiões da Bética, da Lusitânia e da
Calaecia, e entre várias Divindades, cultua-se:
Endovélico
- o Curador,
Atégina
- A Deusa Mãe,
Trebaruna
- A Guerreira e Protetora,
Boncôncios
- O Guerreiro,
Tongoenabiagus
- O Fertilizador,
Tanira
- A deusa das Artes,
Nabica
- A Ninfa das Florestas,
Aernus
- O senhor dos ventos do norte,
Brigantés
- a Deusa guerreira. (Esta divindade é resultante da influência dos
povos do norte da Europa nas terras da Ibéria, a qual não têm nada
a ver com Briga ou Brigit dos druidas e muito menos a ver com os seus
cultos).
Os
feiticeiros Ibéricos não seguem os atuais calendários usados na
Wicca, mas sim os calendários vivos que a própria Tradição os
ditou através dos tempos. Nesta Tradição há 3 Celebrações
anuais básicas: O nascimento, O Apogeu e o Rito aos Idos aonde
visitamos o Rio do Esquecimento, para cultuar seus antepassados. Na
Tradição Ibérica o culto é dirigido a uma só Deusa ou a um Deus
e cada Divindade é adorada individualmente, salvo algumas exceções,
não se aplicando a ritualística de Deusa e seu Consorte, tão
difundida pela Wicca e não existe o conceito de deuses infernais,
nem duos ou trindades de deuses.
Fonte:
Alemdalenda
